Sericaia, Cericaia ou Cericá: Receita Original deste Doce Bem Alentejano




Sericaia, Cericaia ou Cericá: Receita Original deste Doce Bem Alentejano



Há quem lhe chame “A Sericaia” ou “O Sericaia”. Na verdade é “O SERICAIA”, masculino. Também há quem lhe chame Sericá. De facto aparecem registos dos 2 nomes desde o século XVI e XVII. Se de Elvas ou Vila Viçosa, é uma questão de bairrismo e rivalidade local. O que se sabe é que é um doce oriundo da Índia, trazido para Vila Viçosa por Constantino de Bragança, que em 1562, entregou a receita às Monjas do Real Convento das Chagas de Cristo. Em Elvas, o registo mais antigo é de 1584 e do Convento de Santa Clara. Portanto, se de Elvas ou Vila Viçosa, pouco importa!


Sericaia, Cericaia ou Cericá - Receita Original deste Doce Bem Alentejano - Horadabuxa
Sericaia, Cericaia ou Cericá - Receita Original deste Doce Bem Alentejano - Horadabuxa

O Sericaia ou Sericá também é conhecido por Malaca. Por esse motivo diz-se ou comenta-se que a sua origem poderá ter sido Malaca ou Índia. Não sei se será ou não. O que é certo é que nos séculos XVI e XVII as freiras que normalmente iam para os conventos eram, na sua maioria, pertencentes a famílias Nobres. Teriam irmãos e familiares que nessa altura faziam parte das frotas de descobrimentos portugueses. Em contacto com outros povos, traziam os seus hábitos e costumes.

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Já quanto à adição das conhecidas ameixas d`Elvas pensa-se que terá ocorrido no início do século XX. Com o surgimento dos primeiros restaurantes foi necessário reinventar. Servir o sericaia regado com a calda das ameixas tornava-o mais húmido e mais apelativo, tanto à vista, como ao sabor.



RECEITA DO SERICAIA OU CERICAIA OU CERICÁ OU MALACA


INGREDIENTES

Receita Original do Século XVI:
  • Canada grande de leite espesso;
  • Catorze de ovos grandes;
  • Malga de 5 de açúcar pardo;
  • 2 Malgas de arroz de farinha de arroz;
  • 1 de lima;
  • De gusto cheio de canela;

Equivalência para a Atualidade:
  • 1 Litro de leite gordo;
  • 14 Ovos grandes;
  • 350 gr açúcar amarelo;
  • 125 gr de farinha de arroz;
  • 1 Limão (facultativo);
  • Canela quanto baste.

NOTAS: Depois do séc. XIX e das invasões francesas, devido à escassez de farinha de arroz a mesma começou a ser substituída por uma parte de farinha de trigo, chegando ao final do séc. XIX somente com a utilização de farinha de trigo.
  

PREPARAÇÃO

Passo 1
Inicialmente começa-se por fazer o creme. Num tacho grande, mete-se o açúcar, a farinha e as gemas de ovos batidas. Adiciona-se o leite. Se decidir meter limão pode meter sumo de meio limão ou casca de 1 limão. Envolve-se bem;

Passo 2
Leva-se o tacho em lume forte, sempre mexendo, até ficar ligeiramente grosso (indicador de que está cozido). Retira-se do lume e deixa-se arrefecer, tapado de preferência com um pano fino, até que seja possível mexer com as mãos sem queimar. Retire a casca de limão se esta foi a sua opção;

Passo 3
Numa batedeira, comece por bater as claras de ovos muito bem e o melhor que conseguir – Castelo firme. Adicione depois, aos poucos, por 3 ou 4 vezes, as claras batidas ao creme, mexendo sempre com a mão, mas de dedos abertos e de cima para baixo, para não desmontar as claras e a mistura ficar leve e fofa e não maçuda (é talvez a parte mais delicada e que fará todo a diferença na sua confeção). Ligue muito bem as claras e o creme;

Passo 4
Depois de bem ligadas, e também com as mãos, distribuía por pratos de barro que possam ir ao forno. Faça uns ligeiros golpes com o dedo da borda para o centro. No centro, deixe uma pequena bola do tamanho de 2 ou 3 nozes conforme o tamanho do prato;

Passo 5
Polvilhe com muita canela, quase a tapar a totalidade do sericaia. Leve ao forno pré aquecido a 200º durante 20 a 25 minutos ou mesmo 30 minutos e depois, cerca de 15 minutos a 120º.

Deixe arrefecer e sirva simples ou com uma ameixa d`Elvas e regado com calda, hortelã para decorar e refrescar.


NOTAS: Se utilizar um tacho de cobre o resultado final será de certeza bem melhor. Se cozer em forno de lenha faça-o no forno bem quente e estável, por cerca de hora e meia. 



AMEIXAS D`ELVAS: HISTÓRIA E TRADIÇÃO NA DOÇARIA ALENTEJANA


As ameixas de Elvas são um dos maiores símbolos da doçaria tradicional alentejana e um verdadeiro tesouro da gastronomia portuguesa. Reconhecidas pela sua qualidade e sabor delicado, estas ameixas confitadas fazem parte de uma tradição secular, conquistando gerações e levando o nome de Elvas além-fronteiras. A sua história está profundamente ligada à cultura, à identidade e aos sabores autênticos do Alentejo.

Ameixas d`Elvas - Horadabuxa
Ameixas d`Elvas - Horadabuxa

A arte de confecionar ameixas em calda desenvolveu-se ao longo dos séculos, transformando este fruto numa referência da doçaria regional portuguesa. Preparadas através de um processo cuidadoso de conservação em açúcar, as famosas ameixas de Elvas ganharam especial destaque como acompanhamento de sobremesas tradicionais, preservando técnicas artesanais e saberes transmitidos de geração em geração.

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Na mesa alentejana, as ameixas de Elvas tradicionais são inseparáveis da célebre sericaia, formando uma das combinações mais emblemáticas da culinária regional. Mais do que um simples acompanhamento, representam o património gastronómico do Alentejo, a tradição conventual e o prazer dos doces portugueses feitos com história. Descobrir estas iguarias é saborear a autenticidade de Portugal e manter viva uma herança culinária única.



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Nota Final: Se gostou desta viagem pela receita e história do Sericaia alentejano não fique por aqui. No blog encontra mais de 500 receitas que com toda a certeza serão do seu agrado. Explore e transforme as suas refeições com as nossas tradições gastronómicas portuguesas. 

(1) Publicação atualizada no dia 30.06.2024 às 14:53
(2) Publicação atualizada no dia 13.10.2026 às 00:03

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