Tutano Celeste: O Segredo da Doçaria Conventual de Santa Clara de Santarém




Tutano Celeste: O Segredo da Doçaria Conventual de Santa Clara de Santarém



Há sabores que transportam consigo séculos de história, devoção e silêncio conventual. O tutano celeste, coração doce dos famosos Pastéis Celestes de Santa Clara, é um dos mais preciosos exemplos da doçaria conventual portuguesa, um verdadeiro ícone dos doces conventuais tradicionais que continuam a despertar curiosidade, emoção e admiração. Mais do que um simples recheio, representa um legado vivo do património gastronómico português, profundamente enraizado na identidade de Santarém.


Tutano Celeste: O Segredo da Doçaria Conventual de Santa Clara de Santarém


Criado no recolhimento do histórico Convento de Santa Clara de Santarém, pelas mãos pacientes das monjas Clarissas, este doce nasceu num período em que os doces antigos portugueses floresciam entre muros conventuais. A doçaria assumia então um papel essencial, combinando espiritualidade, engenho e tradição, dando origem a autênticas receitas conventuais históricas que atravessaram gerações.

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Falar de tutano celeste é falar de mistério, requinte e herança cultural portuguesa. O seu nome evoca delicadeza e elevação, e a sua reputação ultrapassou há muito o espaço conventual, tornando-se uma referência incontornável da gastronomia tradicional portuguesa. É um símbolo dos doces de origem conventual que marcam a memória coletiva e valorizam os doces regionais de Portugal.


Entre o Silêncio do Convento e o Engenho Doceiro, Tutano Celeste: Essência da Doçaria Conventual


Num mundo cada vez mais acelerado, revisitar estas tradições é um convite à autenticidade e à preservação do património imaterial gastronómico. Os Pastéis Celestes e o seu recheio emblemático continuam a fascinar investigadores, apreciadores de sobremesas conventuais e todos os que valorizam a história da doçaria portuguesa enquanto expressão cultural e identitária.

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É neste espírito de partilha e respeito pela tradição que apresentamos este conteúdo dedicado a um dos mais notáveis doces típicos de Santarém. Um tributo à tradição doceira portuguesa, onde cada palavra prepara o leitor para um saber antigo, guardado com zelo ao longo dos séculos, e onde o tutano celeste permanece como um dos maiores tesouros da doçaria de Santa Clara. Na receita de Celestes de Santa Clara é utilizado como recheio de hóstia, que depois de moldados em pequenos bolos vai ao forno até tostar a massa.


RECEITA DE TUTANO CELESTE, RECEHEIO DOS PASTÉIS DE SANTA CLARA DE SANTARÉM



INGREDIENTES
  • 200 ml de água;
  • 24 Gemas de ovo + 2 claras;
  • 250 gr de amêndoa raladas e pisadas;
  • 500 gr de açúcar; 
  • Canela para polvilhar a gosto (Se for para consumir à colher).


PREPARAÇÃO

Passo 1
Comece por ralar as amêndoas. Depois de raladas, pise-as suavemente com um pisador e reserve;

Passo 2
Num tacho (se for de cobre melhor ainda) leve o açúcar a lume médio com a água e deixe ferver até fazer ponto de fio. Adicione as amêndoas raladas e pisadas. Envolva bem e deixe cozer em lume fraco;

Passo 3
Bata as gemas com as 2 claras;

Passo 4
Retire o preparado do lume, deixe arrefecer um pouco e adicione-lhe as gemas batidas. Misture bem e leve novamente a lume brando, mexendo sempre até que a mistura engrosse e se solte das paredes do tacho;

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Passo 5
Deite então o preparado em pequenas taças individuais. Deixe arrefecer e solidificar.

Se for para consumir à colher, polvilhe com canela a gosto. Se for para utilizar como recheio não adicione canela.


NOTAS: Se pretender fazer pastéis Celestes de Santa Clara, compre ou faça massa de hóstia, e sem utilizar a canela, vá dispondo montinhos de recheio e formando pequenos pastéis em forma de rissóis. Leve ao forno até que as pontas estejam tostadas.


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Nota Final: A doçaria conventual portuguesa é um universo rico em histórias, sabores e tradições que merecem ser descobertos com tempo e curiosidade. Se este conteúdo despertou o seu interesse, convidamo-lo a explorar outras receitas e artigos do blog, onde partilhamos doces antigos, património gastronómico e saberes que continuam vivos. Cada receita é uma viagem pela memória coletiva e uma nova oportunidade para celebrar a tradição doceira portuguesa.

(1) Publicação atualizada no dia 29.04.2024 às 22:40
(2) Publicação atualizada no dia 27.01.2026 às 00:00

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